Um escritório fundado por advogados que continuam advogados — em São Paulo e Rio de Janeiro, desde 2008.
i. carta dos sócios · ii. a história · iii. o método · iv. os princípios · v. os fundadores · vi. os outros advogados · vii. um dia no escritório · viii. em sala de aula · ix. bibliografia · x. voz coletiva
Fundamos esta casa em 2008 com a hipótese de que ainda havia espaço, no Brasil, para uma forma de advocacia que não confundisse importância com volume. Saímos de bancas grandes que eram boas no que faziam — mas que tratavam parecer e petição como produto de linha de montagem. Quisemos uma sala silenciosa, com gente que lê, que escreve, que tem tempo para pensar antes de redigir.
Em dezoito anos mantivemos quatro coisas. A primeira: nenhum parecer sai do escritório com uma única assinatura. A segunda: ler antes de escrever, e escrever antes de qualquer reunião. A terceira: a docência — porque ensinar é a forma mais honesta de descobrir o que de fato sabemos. A quarta: dizer não. Recusamos cinco casos para cada um que aceitamos.
Trabalhamos para clientes que escutam o que dizemos e, quando discordam, querem entender por quê. Esses clientes existem em quantidade menor do que costumam supor as bancas que crescem rápido. Mas existem. E são suficientes.
Esta página foi escrita para esses leitores. Não é um texto promocional — é uma tentativa de descrever, com a mesma franqueza que usamos em parecer, quem somos, como pensamos, o que recusamos, e o que acreditamos sobre a profissão. Se algo aqui ressoar, escreva. Se discordar, melhor ainda — escreva também.
Esta carta não tem prazo de validade. Foi assinada pelos dois sócios fundadores em 2026 e será revista quando deixar de ser verdadeira.
Lucas Mendes · Carolina Vasconcelos
sócios fundadores
A história deste escritório, contada por nós mesmos.
Lucas e Carolina abrem o escritório em uma sala de 22m² em Pinheiros, com três clientes herdados de antigos pareceres. A regra inicial era simples e permanece: nenhum parecer sai do escritório com uma única assinatura. Os primeiros doze meses foram passados quase exclusivamente em pesquisa — e em recusar trabalho.
Em 2010, uma sustentação oral em recurso especial sobre creditamento de PIS/Cofins é citada em três decisões posteriores. O telefone começa a tocar de outro modo. Pela primeira vez recebemos uma indicação que veio da banca contrária — e foi a primeira de muitas.
O escritório se instala em um sobrado restaurado nos Jardins, com biblioteca aberta para uso interno, sala de leitura silenciosa e espaço para 23 pessoas. A casa foi desenhada para a leitura — não para a recepção de clientes. Quem nos visita, almoça com os sócios.
A unidade do Rio é aberta com a mesma escala da matriz — não como filial comercial. Inicialmente com sete advogados, hoje com onze. Trabalhamos lado a lado nos casos relevantes: parecer redigido em São Paulo é revisado no Rio, e vice-versa.
Hoje somos vinte e três advogados, dois sócios fundadores, três sócios não-fundadores e dezoito associados. Mantivemos a porta fechada para contratação externa por dezesseis anos — abrimos em 2024 e seguimos em ritmo lento, deliberadamente. Continuamos publicando o boletim mensal, continuamos ensinando, continuamos recusando o que não cabe.
Cada caso novo recebe pelo menos quarenta horas de leitura antes de qualquer redação. Não acreditamos em "tese pronta": a tese vem da leitura específica deste caso, deste cliente, deste momento da jurisprudência. Quando aceitamos um caso paradigmático em 2018 sobre tributação de software, passamos seis semanas relendo a doutrina alemã de Direito Tributário antes da primeira reunião com o cliente.
Não temos diferencial de marketing, não temos relacionamento privilegiado com tribunal, não cobramos menos. O que temos é a capacidade de produzir um parecer ou uma sustentação que outros escritórios não produzem porque não dispõem do tempo ou da formação para fazê-lo. É a única razão pela qual existimos como banca independente.
Os dois sócios fundadores são professores universitários ativos. A regra interna é simples: se o argumento não passaria por uma banca de mestrado, não vale uma sustentação oral. Recusamos cinco casos por mês — alguns deles muito lucrativos — por esse critério.
Um bom parecer não convence — explica. Um bom parecer é, antes de qualquer coisa, um texto que poderia ser publicado em um periódico jurídico sem alterações substantivas. Por isso temos uma sessão semanal interna de leitura em voz alta dos pareceres em construção: se o texto não soa bem ao ouvido, não está pronto para o cliente.
A consulta inicial é gratuita porque nosso compromisso ético inicia antes da contratação. O contrato de êxito alinha incentivos no curto prazo mas distorce o conselho jurídico no longo prazo. Cobramos por hora de trabalho efetivo, em valores claros, e enviamos relatório mensal detalhado. É um modelo menos lucrativo — e por isso mesmo o mantemos.
Os fundadores ainda atuam diretamente em todos os casos relevantes — não como supervisores, mas como redatores.
sócio fundador · contencioso fiscal e tributário
Direito USP · Doutorado em Direito Tributário, USP · Pós-doutorado, Heidelberg · Professor titular, FGV Direito SP
Atua há 22 anos em direito tributário, com ênfase em casos de repercussão geral em STF e teses de afetação no STJ. Sua formação em hermenêutica jurídica em Heidelberg moldou o método interno do escritório: leitura aprofundada da fonte legal antes de qualquer construção de tese.
"O direito tributário é uma forma de literatura. Cada caso é um romance que precisa ser lido até o fim antes de qualquer escrita."
— Em entrevista para a Revista de Direito Tributário Atual, 2023
MENDES, Lucas. Hermenêutica e norma tributária. RT, São Paulo, 2019.
MENDES, Lucas. Repercussão geral em matéria tributária. Saraiva, São Paulo, 2021.
MENDES, Lucas. O parecer como gênero jurídico. Forense, Rio de Janeiro, 2024.
sócia fundadora · empresarial e M&A
Direito USP · LL.M., Yale Law School · Professora convidada, FGV Direito SP · Conselheira, IBGC
Concentra a prática societária e de M&A do escritório. Sua passagem por Yale a colocou em contato com a tradição contratual americana e com o pensamento de governança corporativa que se desenvolveu lá nos anos 1990 — referências que estruturam o modo como pensa cada operação até hoje.
"Toda transação societária é, no fundo, um problema de tradução — entre regimes jurídicos, entre culturas corporativas, entre intenções implícitas e cláusulas explícitas."
— Em palestra na FGV Direito SP, 2024
VASCONCELOS, Carolina. M&A transfronteiriço: estrutura e prática. Quartier Latin, São Paulo, 2018.
VASCONCELOS, Carolina. Governança corporativa e dever fiduciário. Forense, Rio de Janeiro, 2020.
VASCONCELOS, Carolina. Cláusulas de proteção em SPAs. Saraiva, São Paulo, 2022.
O escritório opera com 23 advogados, organizados em duas frentes — sócios não-fundadores e associados. Todos atuam diretamente nos casos.
sócia
Direito USP · Mestrado em Direito Empresarial, FGV
sócio
Direito PUC-Rio · Mestrado em Direito Constitucional, UERJ
sócia
Direito UFRJ · LL.M., Columbia Law School
associado
Direito USP · Especialização em Direito Tributário, IBET
associada
Direito Mackenzie · Pós em Direito Societário, FGV
associado
Direito UnB · Mestrado em Direito Tributário, IDP
associada
Direito UFMG · Especialização em M&A, FGV
associado
Direito USP · Pós em Contencioso Administrativo, FGV
Acreditamos que ensinar e advogar são facetas do mesmo trabalho. Nenhum sócio fundador deixou a docência ao fundar o escritório — e isso não é detalhe biográfico.
A relação entre prática e academia é, no escritório, deliberadamente embaralhada. As três semanas de imersão de cada caso novo se parecem com a fase inicial de um projeto de pesquisa: leitura ampla, mapeamento da literatura existente, formulação de hipóteses antes da redação. A docência alimenta o trabalho consultivo na mesma medida em que o trabalho consultivo alimenta a docência.
Hoje os dois sócios fundadores ministram disciplinas regulares na FGV Direito SP, programa de pós-graduação. Carolina é, ainda, professora convidada em programas de extensão sobre governança corporativa. Lucas mantém grupo de pesquisa em hermenêutica tributária com cinco mestrandos em coorientação.
Lucas Mendes
professor titular
FGV Direito SP — Direito Tributário
desde 2013
Lucas Mendes
pós-doutor
Ruprecht-Karls-Universität Heidelberg — visitante
desde 2017
Carolina Vasconcelos
professora convidada
FGV Direito SP — Governança Corporativa
desde 2015
Carolina Vasconcelos
conselheira
Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)
desde 2020
Esta página foi escrita para quem leria até o fim. Se você chegou aqui, talvez queira conversar — sobre um caso novo, sobre uma candidatura, sobre uma matéria de imprensa, ou apenas para receber o boletim mensal.
— Mendes & Vasconcelos · Advogados